domingo, 3 de maio de 2009

cap. 10

10

___Indo de volta ao apartamento com o cotovelo machucado de quando saiu da água, Isabella e Adriana abriram a porta rindo trazendo olhares dos garotos da casa. Cada uma foi tomar um segundo banho, desta vez não tendo uma experiência tão boa, somente um banho. A mãe acabou em questão de dez minutos e logo saiu com o pai, como tinha sido combinado. A filha demorou mais uns três minutos e como tinha esquecido do compromisso e do convidado, Isabella saiu do banheiro com a mesma roupa que usara – um short antigo e uma blusa desbotada -, com toalha nas mãos secando os cabelos e sentiu a timidez quando viu Daniel e seu professor assistindo televisão. Este segundo a olhou de baixo pra cima e teve a mesma reação, porém com um sorriso no rosto fazendo Isabella fazer o mesmo e ir para seu quarto.

Em cima de sua cama desarrumada – empregada trabalhava de segunda à sexta - havia uma carta. Jogou a toalha em cima da peça de madeira onde ficava seu computador e material de estudo. Caiu na cama, pegou a carta e começou a ler.

___“Querida Isabella,

Nós dois sabemos o que há entre nós. Essa ansiedade que me dá a cada dia em que vou à sua sala, o nervosismo que sinto quando te vejo num momento não esperado e a alegria ao nos falarmos, olharmos. Desde quando era criança torcia por você ser especial e agora é mais do que isso. Não sei o que fazer. Talvez seus pais, se um dia descobrirem, pulem de alegria, talvez nunca mais falem comigo. Estou disposto a descobrir, e aí vai um segredo: sexta feira, quando encontrei com seu pai não foi sem querer, liguei para o seu escritório e a secretária me disse. Vibrei. Sei como seu pai é e sabia que me chamaria para vir em sua casa, e por sorte consegui o que mais queria: passar o sábado perto de você. Ou pelo menos não ter que esperar até segunda para te ver.

Se você é curiosa assim como eu, deve estar se perguntando o que acho de tudo isso e o problema é que sinto que tudo magnífico. Aos 32 anos estou descobrindo a emoção de viver um amor proibido. Aos 32 anos sei como é querer fazer tudo para estar perto de quem se gosta, mesmo que a chance de dar certo seja mínima. Sei como é dormir pensando em alguém e não esquecê-la mesmo nos sonhos.

___Te imagino lendo essa carta, deitada em sua cama com o cabelo jogado para frente e as pernas pro ar, dando risada a cada frase tola. E mesmo que esteja lendo em outro lugar, mesmo que não esteja rindo, ainda assim... Não sei, só me sinto bem imaginando como você está e espero que não tenha se assustado com nada que escrevi, espero também que tudo isso não tenha sido imaginação minha.

Esperarei ansiosamente para saber como será nossa vida depois desta carta. Estarei o dia inteiro na sua casa hoje, passarei alguns momentos sozinho na sacada. Se quiser, está convidada a se juntar à minha solidão.

Sebastian.”

___Sentou na cama, uma perna em cima da outra, posição de meditação com a carta nas mãos e as mãos nos pés. Fez aquela cara: levantou metade da boca para cima, riu e coçou a cabeça. ___Jogou-se com a mão no rosto, desdobrou as pernas levantando-as para cima e para baixo até seu irmão chegar a porta.

___- Quero comer.

___Isabella levantou num pulo, pos a mão nos ombros do irmão, riu e:

___- E quer o que?

___- Hum, bolacha ou sorvete!

___- Que tal os dois? Juntos?!

___Daniel olhou para a irmã e fez uma cara engraçada de quem achou a idéia um tanto quanto estranha, assim como a atitude da garota.

quinta-feira, 30 de abril de 2009

cap. 09

09

____Para um dia de domingo, ainda era cedo quando a conversa foi terminada, seis e alguma coisa da manhã. Era madrugada, algum horário no qual o sol estava pensando em levantar para fazer as obrigações do dia. E ela atinha acabado de perceber isso.

Descalça, com camisola e na sacada onde olhando para baixo, havia a rua. Sentiu uma tremenda vergonha quando percebeu que havia pessoas em forma de formiga andando a alguns metros e então foi tomar banho. Pela primeira vez em todos esses dezesseis anos ela sentiu algo que sempre via em comerciais de sabonetes e afins: a felicidade em tomar um simples banho.

Aquela água passando por todo seu corpo ainda não definido, molhando seus cabelos de corte reto básico, sem franja e castanhos claros que iam até os seios. O líquido mais importante para a sobrevivência descendo por seu rosto, observando cada detalhe de quem é, contornando todoo seu corpo. Colocou a cabeça para cima, os cabelos para baixo e riu. Meio feliz, meio triste, meio com medo, meio aliviada.

____Acordou desse momento um tanto insano quando a mãe bateu à porta falando que precisava de sua ajuda.

___- Seu pai vai sair para comprar mais refrigerantes, carvão e eu vou com ele para não gastar tudo que não temos. – sua mãe sempre era um tanto dramática – você ficará aqui e cuidará do seu irmão. Talvez alguém chegue por isso Sebastian ficará.

__- E vão agora? As pessoas vão chegar para o churrasco ás oito da manhã?

__- Não, não. Agora eu preciso que você me ajude a arrumar a mesa, a limpar aquela casinha lá.


__Isabella colocou uma roupa qualquer, um short, uma blusa. Desceram pelo elevador carregando panos, vassouras e um rádio, pleno silêncio. Chegaram ao seu quiosque, n° 05, perto da piscina – era o maior. Aprontou-se, prendeu o cabelo ainda úmido e mãos a obra. Antes, ligou o rádio, um pouco de Raul Seixas. Nada de interessante acontecia: só se ouvia a música e um sussurro ou outro das duas cantando. A filha parou de varrer, olhou para a mãe limpando a mesa movendo seus lábios sem emitir som. Começou a cantar, fazendo a vassoura como microfone. A mãe parou, olhou e a acompanhou. Cantaram e dançaram durante o CD inteiro, durante a limpeza inteira mandando embora até todos os desconfortos ali existentes.

_Quarenta minutos depois, Isabella caiu na piscina.